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Novos membros ocupam vagas da sociedade civil no Conselho Curador da EBC

Durante a 57ª Reunião Ordinária do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), realizada no último dia 13/08, tomaram posse como novos membros do colegiado Enderson Araújo, Isaías Dias, Joel Zito, Letícia Yawanawá e Venício Lima. Os novos conselheiros e conselheira, representantes da sociedade civil, substituem Daniel Aarão, João Jorge Rodrigues, José Martins, Maria da Penha e Murilo Ramos, em um mandato de quatro anos, prorrogável por igual período.

A nomeação encerra um processo que teve início em 14 de janeiro de 2014, com a indicação de nomes através de uma consulta pública. No total, foram apresentadas 58 candidaturas por 205 entidades da sociedade civil. Os indicados foram submetidos à votação pelo colegiado a partir de análise dos perfis apresentados no edital da consulta. Após a votação de listas tríplices, os candidatos aguardaram por mais de um ano a nomeação da presidenta Dilma Rousseff, no dia 18 de junho deste ano. (Saiba mais sobre o processo de nomeação aqui).

“Quero agradecer a todas as pessoas do Conselho e da EBC a oportunidade de, enquanto militante da cultura, discutir com vocês ao longo desses cinco anos o tema da igualdade racial. Isso resultou na indicação do jovem comunicador Enderson, desse grande nome do audiovisual brasileiro, que é o Joel Zito, e também da volta de uma representante da população indígena, a Letícia”, disse João Jorge. O ex-conselheiro lembrou momentos importantes de sua atuação no colegiado, como a criação da Faixa da Diversidade Religiosa e do programa Nova África, a cobertura jornalística no continente africano e o permanente debate sobre música e cultura nas reuniões do Conselho.

Murilo Ramos também pontuou momentos marcantes para ele, em seu mandato. “Primeiro quero fazer um agradecimento à Teresa Cruvinel, que abriu mão de uma vaga de assessoria que resultou na contratação da primeira pessoa em dedicação exclusiva para a Secretaria Executiva do Conselho, e foi com isso que pudemos ter essa equipe que temos hoje”, afirmou. Murilo lembrou, ainda, a importância da presidência de Ima Vieira para estruturação do Conselho, e o início das pesquisas realizadas pelo colegiado, sob sua supervisão e da então conselheira Lúcia Braga. “Dessa pesquisa sobre programação infantil vieram as câmaras temáticas e outras pesquisas acadêmicas”. A discussão sobre o Operador Nacional de Rede e a melhoria dos Planos de Trabalho da empresa também foram apontados pelo ex-conselheiro como algo positivo feito pelo Conselho.

José Martins se despediu dizendo que a EBC pode dar uma contribuição muito grande ao Brasil, mostrando para população que o país tem muitas potencialidades. “Acho que temos que varrer o pessimismo na nossa economia, na nossa política, e vocês podem ajudar muito a explicar isso para as pessoas”, disse.

Nesse sentido, Venício Lima reforçou o papel da comunicação pública no contraponto do sistema comercial. “Eu tenho, fora minha preocupação profissional com a comunicação pública, alguma coisa de participação na EBC. Não tenho nenhuma pretensão de substituir Murilo no que se refere a contribuição que ele deu aqui, mas eu assumo o compromisso de dar o melhor que eu puder porque entendo que uma empresa pública de comunicação é muito importante no contraponto de quase um monopólio da comunicação comercial que temos”.

Isaias Dias, por sua vez, afirmou a necessidade de aumentar a acessibilidade nos conteúdos da EBC e das próprias atividades do Conselho. “Venho do movimento sindical e estamos aqui com o intuito de ajudar o debate das pessoas com deficiência, não que isso já não existisse no Conselho, mas estou aqui com o acúmulo dos movimentos que olham para as necessidades das minorias”, defendeu.

 

Sobre minorias, Joel Zito pontuou que o audiovisual é um dos setores em que os índices de desigualdade racial são mais profundos: “existe uma ausência no debate de comunicação pública, cinema e televisão no Brasil sobre a profundidade da nossa desigualdade racial. Entre os cerca de 400 cineastas que conseguiram colocar um longa-metragem nas salas de exibição brasileiras, temos apenas 11 negros”, afirmou.

Letícia Yawanawá reforçou a defesa dos povos tradicionais, dizendo que, em sua representação no Conselho, pretende colaborar para que a comunicação pública quebre os estereótipos e preconceitos sobre os índios brasileiros. “Aqui na EBC, eu quero ser essa voz da mulher e do homem da floresta, que têm contribuído tanto para o desenvolvimento do nosso país. Para mim é um desafio muito grande, mas eu vou me doar e fazer o possível para corresponder”, afirmou.

Enderson Araújo, por fim, fez uma fala sobre sua representação em nome da juventude negra do país. “Não gosto muito da palavra 'representatividade' ou 'representante', pois a juventude negra, ela se representa singularmente, para daí formar-se os coletivos de lutas. Sou aqui um jovem negro, instrumento da luta pela democratização e acesso dessa juventude espalhada pelas periferias e favelas do Brasil, que produzem conteúdos de comunicação, desde entretenimento a notícias sobre suas próprias comundidades”. Enderson disse que, hoje, os jovens brasileiros não se enxergam na programação TV Brasil nem se sentem atraídos a ouvir a programação das Rádios EBC. “A saída é ouvir o único programa que contempla a juventude de periferia, na web, o Ação Periferia”.

Clique aqui e saiba um pouco mais sobre os novos conselheiros.

 

Monitoramento

Durante a reunião, foi apresentado aos conselheiros o Monitoramento Semestral do Plano de Trabalho da EBC para o ano de 2015 (veja a apresentação de slides aqui). Segundo Américo Martins, diretor-presidente da EBC, 71% dos projetos propostos no plano, o que inclui programas e outras metas relacionadas à produção de conteúdos, já foram executados.

“Nossa preocupação é com a audiência, pois temos tido muita inconstância nas medições. Em São Paulo tivemos uma boa notícia: a mudança de canal, para o canal 3, melhorou muito a audiência. Mas tivemos uma queda em Pernambuco por questões de sinal. Nossas parceiras estão passando por problemas de investimento. Por exemplo, nosso parceiro em Tocantins teve que cortar o sinal para fora de Palmas por falta de dinheiro – temos que pensar uma forma de ajudá-los”, afirmou.

Para ele, é preciso melhorar a distribuição de conteúdo multimídia da casa dentro do Portal EBC. Joel Zito, conselheiro, concordou: “a experiência que a gente vê nas outras empresas é a de crossmidia. Qualquer experiência que possa alavancar o conteúdo, eles realizam”. Ele sugeriu, ainda, que a empresa volte seus esforços para produção de conteúdos que contemplem a população negra: “acho que a EBC deve conquistar esse segmento, devia ser parte de nosso esforço estratégico de aumentar a audiência atingi-lo, pois existe essa demanda e essas pessoas estão esperando por isso”.

Ima Vieira destacou que o formato de apresentação do relatório avançou muito e que a porcentagem de realização dos projetos é relevante. “Ressalto, porém, a questão do treinamento de empregados: há problemas sérios para o cumprimento das propostas, e apesar disso o projeto aparece com status de positivo. Além disso, o plano de cobertura das Olimpíadas aqui consta como 100% realizado, porém, aqui no Conselho vimos apenas um esboço dele. Estamos esperando a apresentação para deliberação”.

Eliane Gonçalves também apontou projetos que constavam no relatório como realizados, mas ainda estavam em fase de execução. “Temos apenas 6 a 14% do projeto de acervo executado, então, não acho que dá pra colocar o andamento do projeto como positivo. Além disso, o treinamento de empregados é mesmo uma demanda e espero que seja executado. E isso inclui não só oferecer treinamento, mas as condições para que a pessoa realize esse treinamento”.

Adriano de Angelis, representante do Ministério da Cultura, informou que a pasta vai fazer uma parceria com o Comitê dos Jogos Olímpicos para realizar uma cobertura colaborativa das Olimpíadas em redes sociais e convidou a EBC para fazer parte do projeto. “A EBC poderia estabelecer diálogo com comunicadores que estão na favela e que já vão fazer cobertura das competições”, acrescentou o conselheiro Enderson Araújo.

Enderson ressaltou também a importância da construção da rede de comunicação pública na internet. “As pessoas se remetem muito à TV Brasil, um pouco às rádios e esquecem a web. Queria saber mais sobre porque a rede web está em aberto no planejamento”, questionou. O conselheiro pediu esclarecimentos sobre um programa pra juventude que está previsto para ir ao ar diariamente e apontou: “um programa pra juventude precisa ter a cara da juventude, com uma produção que entenda os temas que queremos ver”.

Sylvio Andrade, vice-presidente da EBC, explicou que o projeto de construção da rede web é o terceiro na fila de prioridades. “A empresa estava mais madura pra aprimorar a rede de TV, que já vem sendo formada, e a de rádio, que teve boas experiências recentes, até pra termos expertise pra fazer o da web, que não sabemos ainda como vai se desenhar”, disse.

 

 

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