• Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size

Pesquisas revelam predominância de fontes oficias no jornalismo da EBC

   A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apresentou na última quarta-feira, 17/06, o relatório final de uma pesquisa de monitoramento e análise de conteúdo da programação da TV Brasil ao Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), durante a 56ª Reunião Ordinária do colegiado.

A pesquisa é resultado de um termo de cooperação firmado entre a Ouvidoria da empresa e a universidade e foi apresentada pela professora Maria Helena Weber (para ter acesso à apresentação em slides feita ao Conselho, clique aqui).

Segundo Maria Helena, o objetivo da pesquisa, que foi realizada entre 1º de março de 2014 e 28 de fevereiro de 2015, era formular indicadores vinculados aos conceitos de Comunicação Pública e aos princípios da Radiodifusão Pública definidos na Lei 11.652/08 para analisar a programação completa da TV Brasil. Neste período, foram remetidos para a Ouvidoria da EBC relatórios semanais, mensais, bimestrais e semestrais produzidos pela equipe de pesquisadores.

A metodologia foi desenvolvida em parceria com a Ouvidoria e levou em consideração a análise de conteúdo, contemplando conceitos (como democracia, cidadania, comunicação pública e radiodifusão pública), além da qualidade técnica da programação, abordagem dos temas e relação entre programas.

Os programas analisados, escolhidos de maneira aleatória, foram agrupados em: jornalismo, infantil, entretenimento, informação, especiais e publicidade. Para classificá-los foi levado em conta os temas, as vozes e fontes, e as questões técnicas e estéticas abordadas em cada um deles. Foram selecionados 29 programas da grade e 394 peças publicitárias. 

Os pesquisadores apontaram, entre outras coisas, que, no jornalismo, o Governo Federal aparece falando e sendo ouvido em todos os assuntos. Entre os temas mais frequentes, cidadania aparece em primeiro lugar. O debate sobre o próprio papel da comunicação na sociedade também é um tema presente no jornalismo da EBC: “Programas sobre comunicação e mídia são marca importante da TV Brasil. Os especialistas da comunicação são chamados a opinar sobre todos os assuntos. Isso não é algo comum em outros canais”, disse Maria Helena.

Sobre publicidade na grade da emissora, o estudo questionou porque as programações são interrompidas para trazer intervalos entre os programas, o que aparentemente não é crucial para a emissora naquele momento (fazendo uma comparação com os intervalos comercais das emissoras privadas, que são necessários para a obtenção de receitas dos canais). Em relação à programação infantil, os resultados apontam uma produção relevante, diferenciada e de caráter educativo, com 50% de todo conteúdo tendo origem nacional.

 

A pesquisa conclui, entre outros aspectos, como deficitária a construção da grade da emissora, que traz problemas na continuidade e coerência sequencial – a programação infantil atravessa outros programas em horários fora dessa faixa, por exemplo.

Como recomendação, os pesquisadores sugerem que haja maior investimento em inovação e tecnologia, planejamento para uma grade mais atrativa, qualificação dos profissionais a partir de padrões de qualidade desenvolvidos para a emissora, criatividade para veiculação de novos formatos, valorização dos espaços entre programas com planejamento diferenciado sobre inserção da publicidade, estratégia para valorizar sites e redes sociais, e projetos integrados com o setor educacional.

Situação se repete no rádio

Seguindo a mesmo objetivo, a Universidade de Brasília analisou o conteúdo jornalístico de emissoras de rádio da EBC.  Segundo Fernando Paulino, coordenador da investigação,  o objetivo da pesquisa, realizada entre dezembro de 2013 e fevereiro de 2015, era fazer uma reflexão acadêmica com relação às funções e atribuições de um Sistema Público de Radiodifusão. A metodologia foi desenvolvida em parceria com a Ouvidoria e levou em consideração aspectos como a pluralidade de fontes, a amplitude ou limitação da informação de acordo com o interesse público, adequação da linguagem, adequação estética aos padrões propostos pela EBC, entre outros.

 
Como resultado, o grupo concluiu que a maior parte da informação jornalística veiculada nas emissoras é meramente informativa e não apresenta o contexto dos fatos, além de usar majoritariamente fontes governamentais, tendo o próprio enfoque das matérias um viés voltado à divulgações do Governo Federal.
 
No que se refere à programação musical, os pesquisadores entenderam que apesar do alto índice de veiculação de artistas brasileiros (86% do total) é recomendado a diversificação de nomes e estilos musicais, especialmente de novos talentos da Música Popular Brasileira.
 
O conselheiro e maestro Wagner Tiso concordou com a indicação: “não vi ninguém com menos de 70 anos na programação. Acho que devemos programar gente mais jovem, até para atrair o público jovem para ouvir os clássicos”, disse. Para João Jorge, conselheiro e presidente do Olodum, o quadro apresentado mostra uma rádio que precisa de atualizações. “Tem cor essa programação, tem origem étnica. É uma reprodução das antigas rádios educadoras: uma rádio para um grupo restrito, que impõe a interpretação do que é qualidade”, acrescentou.
 
Daniel Aarão sugeriu que a pesquisa da UnB fosse debatida com os funcionários das Rádios EBC e que fosse produzido um relatório de soluções para ser encaminhado ao Conselho. “Tom Jobim e Vinícius é música de classe média do Sudeste, o Brasil é mais que isso. Temos que trazer mais jovens, equilibrar homens e mulheres, trazer as regiões do país e se preocupar muito com esse oficialismo”.
 
Ana Veloso, conselheira, pediu, ainda, que a pesquisa fosse ampliada para as demais emissoras de rádio da EBC e que a empresa passe a explorar mais os formatos radiofônicos que estão em extinção. “Outra coisa essencial, levantada pela pesquisa, é que a EBC disponibilize orçamento para a realização de pesquisas de estudos de recepção, para entendermos melhor o que o público quer ouvir”, cobrou.
 
Sobre a diversidade das músicas exibidas, Taís Ladeira, gerente das rádios EBC de Brasília, ponderou que a planilha de programação disponibilizada no site das emissoras, sob a qual a pesquisa se debruçou, não continha a grade completa que foi ao ar no período, o que pode ter alterado o resultado da análise.
 
Américo Martins, diretor-geral, comprometeu-se a realizar uma discussão mais ampla do relatório com as equipes da casa e analisar a proposta de rejuvenescer as rádios e criar uma rádio 24h de notícias.
 

Leia aqui o  relatório, da pesquisa e a apresentação dos professores da UnB, Fernando Paulino e Luiz Martins (para ter acesso à apresentação em slides feita ao Conselho, clique aqui). 
 

VEJA TAMBÉM

COMPARTILHE

FACEBOOK

Twitter

TAGS


kerajaan cerita horor gosip terbaru berita terbaru windows gadget toko game